Retratos da vida · Cornélio Pires · Chico Xavier

Capítulo 5 de 21

Herança no Além

1 Você deseja saber Meu caro Joaquim Monforte, Dentre os assuntos de herança, O que há depois da morte.

2 Respondendo a sua carta Cumpro apenas um dever; Herança dá muita encrenca, Você nem queira saber.

3 Decerto que há muita gente, Caminhando ao nosso lado, Que sabe usar com Jesus Os bens de qualquer legado.

4 Entretanto, em muitos casos, Nos passos de muitas vidas, Heranças trazem problemas Às pessoas mais queridas.

5 Amparo que você queira Fazer, em verdade sã, Auxílio, bênção, favor, Não deixe para amanhã.

6 Nosso Téo deixou ao genro A fazenda Carolina, O moço inexperiente Descambou na jogatina.

7 Tanta injúria de inventário Recebeu Nhô Chico Bentes Que se fez obsessor De todos os seus parentes.

8 Nhá Nicota ajuntou casas Em favor da própria filha; Viu a filha envenenada Numa questão de partilha.

9 Nhô Tino deixou aos filhos, A fazenda da Tronqueira E os rapazes sem trabalho Caíram na bebedeira.

10 Calina legou à filha Todas as lojas de um prédio: A moça largou o estudo, Depois matou-se de tédio.

11 Teotônio legou milhões Para o bisneto Tadeu; Ao vê-lo abusar de drogas O coitado enlouqueceu.

12 Nicão viu tantas loucuras Na viúva Dona Criste, Que deseja ir para o inferno, Mas o inferno não existe.

13 Joaninha ao achar as filhas, Em sombra, gozo e moleza, Hoje pede vida nova Afundada na pobreza.

14 Se você tem para dar Não exija condição, Dê trabalho e caridade, Paz, amor e educação.

15 Bendita seja a pessoa Que recebendo uma herança, Sabe espalhar benefício, Conforto, luz e esperança.

16 No entanto, muito legado É mero apoio ilusório, Há muito desencarnado Que enlouqueceu no cartório. Cornélio Pires