Retratos da vida · Cornélio Pires · Chico Xavier

Capítulo 4 de 21

Ofensa e ressentimento

1 Você deseja de nós Meu caro Luiz Sarmento, Alguma fala qualquer, Em torno ao ressentimento.

2 Diz você: “cá neste mundo Não sei como me exprimir, Se não aprendo, não sinto, Se aprendo, devo sentir.

3 “Se recebo alguma ofensa, Zombaria ou pescoção, Se nada disso me fere Como guardar a lição?”

4 Sua palavra bem feita Lançando o assunto no ar, Dá muita filosofia, Muita cousa que pensar…

5 Em toda questão de ofensa, É necessário se insista: Pede a vida que se mude, O nosso ponto de vista.

6 Quem é aquele que ofende? Às vezes é um pobre louco… De outras vezes, um doente Que enlouquece pouco a pouco.

7 De que modo condenar Quando me cabe entender, Se todos somos no mundo Capazes de adoecer?

8 Por isto, ressentimento Dos enganos que se leva, Quando embutido no peito, Lembra um novelo de treva.

9 O ponto grave na ofensa Está sempre na pessoa, Que condena e se lastima, Que se arrasa e não perdoa.

10 Surge a mágoa… Leve sombra Numa estranha formação, Depois recorda serpente Por dentro do coração.

11 Faz tristeza, inimizade, Vida irritada e insegura, Discórdia, injúria, sarcasmo, Separação, amargura…

12 Quem guarda ressentimento, Note bem, veja você: Coloca o mal no que sabe, Veneno em tudo o que vê.

13 Ressentimento onde esteja Traz sempre como é notório, Muita doença imprevista, Muita ficha em sanatório.

14 Se você sofreu ofensa, Lembre o perdão de Jesus, Quem se ofende ajunta sombras, Quem perdoa tem mais luz.

15 Contra alguém, seja quem for, Que nunca se erga a voz, A justiça vem de Deus, O agravo é que vem de nós.

16 Mesmo entre pedras e lutas, O amor trabalha e auxilia… O tempo emenda a nós todos, Cada qual tem o seu dia. Cornélio Pires