Retratos da vida · Cornélio Pires · Chico Xavier

Capítulo 3 de 21

Parentesco e reencarnação

1 Você nos pede por carta, Meu prezado amigo João, Que a gente escreva no tema: Família e reencarnação.

2 Assunto vasto, meu caro, Tão vasto que já nem sei Andar nesse labirinto Mesmo andando à luz da lei.

3 O lar parece uma empresa De lucro certo e benvindo, Surge na Terra em dois sócios, Depois a casa vai indo…

4 O casal primeiramente Celebra doces afetos, Em seguida, ganha filhos E os filhos arranjam netos.

5 Logo após é um grupo grande Ao qual, de forma concisa, A gente volta em criança Procurando o que precisa.

6 A luta chega… Entretanto, O progresso vale a pena. É isso aí… Cada berço Põe a vida em nova cena.

7 O mundo lembra um teatro, Cuja função nunca cessa, Toda casa lembra um palco, Cada família é uma peça.

8 O espetáculo é de todos, A prova é parte comum, Mas proveito e aprendizado São coisas de cada um…

9 Antes do berço rogamos A luta que nos apraz, Depois, muito comumente, Buscamos voltar atrás.

10 Requisitamos em prece Inimigos por parentes E ao revê-los, ombro a ombro, Reclamamos descontentes.

11 Às vezes, a filha ingrata É aquela jovem sofrida Que abandonamos à rua Nos prazeres de outra vida.

12 Filho criando problema, Tristeza, mágoa, perigo: Adversário de outrora Cobrando débito antigo.

13 Noras cruéis, genros brutos, Pai tirânico e violento, São contas do crediário Resgatado a sofrimento…

14 Rusgas, brigas e desgostos Espinheirais do passado, Pagamento a prestações De culpas por atacado…

15 Nossos erros de outras eras, Ódio, inveja, tentação, Retornam pela família Na lei da reencarnação.

16 Quem amou, quem deu de si, Sobe de altura e lugar, Quem fez sofrer vem sofrer, Quem bateu vem apanhar.

17 Quem dos outros fez capacho, Cria resgate severo, Quem foge ao próprio dever Vem de novo à estaca zero.

18 Parentela é escola santa, Sempre que a vemos daqui, Cada qual encontra em casa Aquilo que fez de si.

19 Ame, perdoe, sirva e ajude, Quanto ao mais, meu caro irmão, Se você sofre em família, Não reclame, aguente, João. Cornélio Pires