Retratos da vida · Cornélio Pires · Chico Xavier
Capítulo 6 de 21
Sobre a preguiça
1 Tenho em mãos sua consulta, Minha prezada Larissa, Você procura por nós, Informes sobre a preguiça.
2 Preguiça mesmo no Além, É uma sombra malfazeja, Que o nosso espírito abraça, Contra si próprio onde esteja.
3 É treva de obsessão, Tão forte a í quanto aqui, Moléstia do pensamento Que a pessoa esconde em si.
4 A preguiça escuta o verbo De quem procura ajudar, Aprova, aceita, agradece, Depois se põe a queixar.
5 Fala que anseia servir, Dia a dia, hora por hora, Que o trabalho é sempre a trilha Por onde a vida melhora.
6 Afirma que a vida é luta, Conhece o próprio dever, Mas apresenta as razões Porque não pode atender.
7 Preguiça não evolui, Diz ela: — Porque não tem, Palavra de voz amiga Nem proteção de ninguém.
8 As lágrimas que carrega Só ela as vê como são, Tem problemas que não cessam, Tem família em provação.
9 Traz a saúde imperfeita Embora reze com fé, Suporta a cabeça fraca, Carrega fogo no pé.
10 Tem cólica, batedeira, Dor no fígado e no baço, De dia, tudo é tristeza, De noite, tudo é cansaço.
11 Sente aflição e azedume, Sofre a queda dos cabelos, Caminha de perna bamba, Tem dores nos tornozelos.
12 Padece angústia constante, Vê fel por todos os lados, Alega a perseguição De Espíritos atrasados.
13 Quando está caindo chuva Sofre zelos naturais, Quando o calor aparece Diz que o calor é demais.
14 Não se aguenta com vizinhos Que estão sempre contra ela, Em casa nunca dispõe De apoio da parentela.
15 Preguiça, prezada irmã, É sempre uma cousa assim: Um sofrimento parado Numa doença sem fim.
16 Preguiça, antiga moléstia, É praga na criatura, Recebe muito remédio Mas só serviço é que cura. Cornélio Pires