Poetas redivivos · Autores diversos · Chico Xavier

Capítulo 108 de 117

O avarento - José Cirilo das Chagas

1 Vivera encastelado entre pepitas de ouro, Conservava os dobrões em constante revista… Padecera penúria, avaro e calculista, Para afagar, sozinho, o metal frio e louro.

2 Por mais a angústia, cerce, implore, clame e insista, Dar, lhe parece ater-se à loucura e ao desdouro; A ambição pede mais para o tempo vindouro, Mas o tempo galopa e a morte surge à vista.

3 Regela-se-lhe o corpo em triste pesadelo!… Afanam-se na cova os vermes para vê-lo… Ele acorda, estremece, agita-se, reclama…

4 Dementado, a razão, por fim, se lhe tresmalha, Crê-se no leito antigo, ao toque da mortalha, E vê ouro e mais ouro onde há lama e mais lama. José Cirilo das Chagas