Poetas redivivos · Autores diversos · Chico Xavier

Capítulo 107 de 117

Deus te abençoe - Irene S. Pinto

1 Deus te abençoe o gesto de carinho, Alma da caridade, branda e pura, Pela migalha de ventura Aos tristes do caminho.

2 Deus te abençoe a refeição sem nome Que trazes, cada dia, Aos cansados viajores da agonia Que esmorecem de fome.

3 Deus te abençoe a roupa restaurada Com que vestes, contente, A penosa nudez de tanta gente Que vagueia na estrada…

4 Deus te abençoe a bolsa de esperança Que abres, a sós, sem que ninguém te espreite, Para a gota de leite Destinada à criança…

5 Deus te abençoe o pano do lençol, Com que envolves, em doce cobertura, Os enfermos que choram de amargura, À distância do sol.

6 Deus te abençoe, por onde fores, E te conserve as luzes, Em que extingues, removes ou reduzes, Os problemas, as lágrimas e as dores!

7 Deus te abençoe a fala humilde e santa, Com que aplacas a ira Da calúnia, do escárnio, da mentira, Na frase que perdoa e que levanta.

8 Caridade, que o teu nome ressoe, Pleno de amor profundo, E por tudo o que fazes neste mundo, Deus te guarde e abençoe!… Irene S. Pinto Esse soneto foi publicado em 1962 pela FEB e encontra-se na 29ª lição da 1ª Parte do livro “Antologia dos Imortais”