Parnaso de Além-Túmulo · Autores diversos · Chico Xavier
Capítulo 51 de 58
Raimundo Corrêa
Nascido a 13 de maio de 1860, a bordo do vapor S. Luiz, na baía de Mangunça litoral do Maranhão, e desencarnado em Paris a 13 de setembro de 1911. Magistrado, membro da Academia Brasileira, além de justo e bom, pode sem favor considerar-se um dos maiores poetas da sua geração. Sonetos I
1 Tudo passa no mundo. O homem passa Atrás dos anos sem compreendê-los; O tempo e a dor alvejam-lhe os cabelos, À frouxa luz de uma ventura escassa.
2 Sob o infortúnio sob os atropelos Da dor que lhe envenena o sonho e a graça, Rasga-se a fantasia que o enlaça, E vê morrer seus ideais mais belos!…
3 Longe, porém, das ilusões desfeitas, Mostra-lhe a morte vidas mais perfeitas, Depois do pesadelo das mãos frias…
4 E como o anjinho débil que renasce, Chora, chora e sorri, qual se encontrasse À luz primeira dos primeiros dias. II
1 Ah!… se a Terra tivesse o amor, se cada Homem pensasse no tormento alheio, Se tudo fosse amor, se cada seio De mãe nutrisse os órfãos… Se na estrada
2 Do contraste e da dor houvesse o anseio Do bem, que ampara a vida torturada, Que jamais viu um raio de alvorada Dentro da noite eterna que lhe veio
3 Do sofrimento que ninguém conhece… Ah! se os homens se amassem nessa estância, A dor então desapareceria…
4 A existência seria a ardente prece Erguida a Deus do seio da abundância, Entre os hinos da paz e da alegria. Raimundo Corrêa