Parnaso de Além-Túmulo · Autores diversos · Chico Xavier
Capítulo 14 de 58
Artur Azevedo
Nascido em S. Luís, no Maranhão, a 7 de julho de 1855 e falecido na cidade do Rio de Janeiro a 22 de outubro de 1908. Diretor Geral de Contabilidade do Ministério da viação. Poeta, comediógrafo, jornalista e crítico. Membro e fundador da Academia Brasileira, onde ocupou a cadeira de Martins Pena. Miniaturas da Sociedade elegante I
1 Adriano Gonçalves de Macedo, Homem de cabedais e alma sem siso, Penetrou no seu quarto com um sorriso Às dez horas da noite, muito a medo.
2 Uma carta de amante — era um segredo — Ia abri-la, e, assim, era preciso Que a sua esposa, dama de juízo Não na visse nem mesmo por brinquedo:
3 Dona Corália Augusta Colavida Estaria nessa hora recolhida? Levantou a cortina, devagar…
4 Mas, que tragédia após esse perigo… Viu que a esposa beijava um seu amigo, Sobre o divã da sala de jantar. II
1 No belo palacete do Furtado, Palestrava a galante Mariquita Com um pelintra afetado, assaz catita, Bacharel delambido e enamorado.
2 De sobre a grande cômoda bonita, Toma o moço um livrinho encadernado, Revirando-o nas mãos, interessado, Mas a jovem retoma-o, muito aflita:
3 — «Esse livro, Antonico, é meu breviário!» Diz inquieta. E ele, cínico e falsário, Arrebata-o às frágeis mãos trementes:
4 Abriu-o. Mais o olhava e mais se ria… Era um compêndio de pornografia, Recamado de quadros indecentes. III
1 Dom Castilho, notável latinista, Realizara alentada conferência, Sobre rígido assunto moralista, Protegido dos membros da regência.
2 Foi um sucesso. E a esposa Ana Fulgência, Nele via uma grande alma de artista, Louvando-lhe a utilíssima existência De homem probo e notável publicista.
3 Que primor de moral! E os companheiros Escritores, poetas, conselheiros, Foram levar-lhe um abraço camarada.
4 Numa corrida louca, esses senhores Foram achá-lo em seus trajes menores, No apartamento escuro da criada… Artur Azevedo