Parnaso de Além-Túmulo · Autores diversos · Chico Xavier

Capítulo 13 de 58

Antônio Torres

Nasceu em Diamantina (Minas Gerais) em 1885, falecendo, em 1934, na cidade de Hamburgo, como cônsul adjunto do Brasil. Ordenou-se sacerdote, abandonando mais tarde a profissão eclesiástica. Poeta e escritor. Esquife do sonho

1 Tive um Sonho de Amor e de Inocência, Cheio de luz das coisas invulgares, Do qual perdi a luminosa essência Na cristalização dos meus pesares.

2 Tarde reconheci minha falência, Terminados os múltiplos azares, De minha quase inútil existência, No silêncio das cinzas tumulares.

3 E da Morte, no abismo indefinido, Tombei exausto, amargurado e cego, — Abismo tenebroso que eu transponho.

4 Infeliz do meu ser irredimido, Pois triste e atordoado inda carrego O negro esquife do meu próprio sonho. Nada…

1 Nada!… Filosofia rude e amara, Na qual acreditei, com pena embora De abandonar a Crença que esposara, — A minha aspiração de cada hora.

2 Crença é o perfume dalma que se enflora Com a luz divina, resplendente e rara Da Fé, única Luz da única Aurora, Que as trevas mais compactas aclara.

3 Revendo os dias tristes do Passado, Vi que troquei a Fé pela Ironia, Nos desvios e excessos da Razão;

4 Antes, porém, não fosse tão ousado, Pois nem sempre a Razão profunda e fria Alivia ou consola o Coração. Antônio Torres