O Espírito de Cornélio Pires · Cornélio Pires. — F. C. Xavier / Waldo Vieira · Chico Xavier

Capítulo 9 de 22

Terras de Nho Quinca

1 Parecia uma fera de encomenda. Quando Nhô Quinca dava a sapituca, O povo no roçado ou na poruca Chorava que nem cana na moenda.

2 Posseava das terras de contenda, Tomou terra de Adão, terra de Juca, As terras de Donana de Minduca… Ele queria o mundo na fazenda.

3 Vem um velho pedir barro de oca, Nhô Quinca bate nele na engenhoca E cai num tacho quente de melado.

4 Morreu na raiva… E o pobre do Nhô Quinca, Só teve na fazenda da Cainca Sete palmos de terra no cerrado.

42 Renova-te! Alguém já disse, E disse com precisão, Que a rotina é uma empregada Escravizando o patrão.

43 — “Pão que sobra é contrabando,” — Falou Maria Correia — “Pedaço que está faltando No prato da casa alheia.”

44 Caridade indiscutível Evitar a tentação; Se a gente guardasse a porta, Não haveria ladrão.

45 Provérbio que o povo diz E a vida atira nos ares: Serás tanto mais feliz Quanto menos desejares.

Cornélio Pires [1] [NOTA: O soneto que encabeça este capítulo foi reproduzido no Anuário Espírita de 1965.]