O Espírito de Cornélio Pires · Cornélio Pires. — F. C. Xavier / Waldo Vieira · Chico Xavier

Capítulo 8 de 22

No rio das lágrimas

1 No casarão do sítio da Mutuca, O velho pede pouso e alguém chasqueia: — “Saia, tratante, e durma na cadeia! Ponha a cabeça tonta na cumbuca!”

2 O mendigo cansado não retruca, Enfrenta a noite e a chuva… Cambaleia… Mais além rola o rio entregue à cheia… E, exposto à sombra, afoga-se Nhô Juca…

3 Ante a morte, o passado se desvenda… Sente-se outro… É o dono da fazenda… Nhô Juca, leve e moço, chora e fala…

4 Mas, súbito, no chão molhado e frio, Repara o rio e vê que é o mesmo rio Onde afogava os velhos da senzala…

37 Saudade, às vezes, no Além, Tem novo e estranho sentido… É muito maior que o bem Que se julga haver perdido.

38 Dinheiro lembra no fundo Estrume na plantação, Que só serve para o mundo Quando espalhado no chão.

39 Não mexas com vida alheia, Tem coisa nessa manobra.

Cachorro bom de tatu Costuma morrer de cobra.

40 Reencarnação — benefício Que a outro não se compara, É o modo que Deus nos deu Da gente mudar de cara.

Cornélio Pires