O Espírito de Cornélio Pires · Cornélio Pires. — F. C. Xavier / Waldo Vieira · Chico Xavier

Capítulo 7 de 22

Partida de Nhá Cota

1 Sigo com o povo o enterro de Nhá Cota, Fazendeira mandona, viúva e rica… Tanta reza na Mata da Mumbica!… Nunca se viu sovina tão devota.

2 Contava e recontava prata e nota, Brigava por restolho de canjica… Bebeu muito remédio de botica, Mas morreu na tigela de compota.

3 Baixado o corpo à cova grande e calma, Procuro ver Nhá Cota em véu e palma, Subindo ao céu, na capa de ouro e renda…

4 Mas, só depois de muito pega-pega, Fui encontrar Nhá Cota, surda e cega, Agarrada no cofre da fazenda.

32 Grande inscrição de lembrança Na campa do João de Souza: — Afinal, aqui descansa Quem nunca fez outra cousa.

33 Legenda na sepultura Do devoto Zé Pilão:

— Morreu fazendo uma prece Com dois porretes na mão.

34 Causa e efeito — lei segura Que a gente enxerga de sobra. Mordida de cobra cura Com veneno de outra cobra.

35 Quem lhe fala, meu amigo, Dos tristes defeitos meus, Se vem conversar comigo Chega falando dos seus.

Cornélio Pires