O Espírito de Cornélio Pires · Cornélio Pires. — F. C. Xavier / Waldo Vieira · Chico Xavier

Capítulo 3 de 22

A morte de Nhá Mina

1 Nhá Mina morre aos poucos, num palheiro!… Lembra a orquestra do Mestre Carmelinho… Quando moça, rasgava o cavaquinho Nas noites de alegria no terreiro.

2 Sozinha lembra… A flauta de Antoninho, A sanfona, de Juca, Funileiro, Depois… o mundaréu triste e inzoneiro, Os maus-tratos e as mágoas do caminho…

3 Larga o corpo… Ouve acordes na janela, A orquestra antiga toca junto dela, Juca, Antoninho, Rita, Zico Prata…

4 A lua brilha… A noite é uma beleza !… Nhá Mina sai… Parece uma princesa Que vai casar no céu com serenata.

12 Na cova de jasmineiro Do avarento Calatrava:

— Morreu como carcereiro Da fortuna, que guardava.

13 Li no túmulo de Ormindo: — Foi cristão dos mais fiéis, Ganhou duzentos mil contos, Deu mil e quinhentos réis.

14 Qualquer defeito é mal grande, Nenhum deles é pequeno.

Escorpião miudinho Tem a morte no veneno.

15 Maricotinha enjeitou Dez filhos de porta em porta; Hoje, ela quer reencarnar, Quando nasce, nasce morta.

Cornélio Pires