O Espírito de Cornélio Pires · Cornélio Pires. — F. C. Xavier / Waldo Vieira · Chico Xavier

Capítulo 4 de 22

Na mesma moeda

1 O coronel Tutuca Sapecado, A cada petitório de mendigo, Falava: — “Deus é grande, meu amigo!” Mas não dava um vintém de mel coado.

2 Se um doente gemendo afadigado Vinha pedir perdão de juro antigo, Louvava: — “Deus é grande! Deus consigo?” E recebia o cobre assossegado.

3 Quando morreu ficou na caixa-forte E gritava mudado pela morte: — “Quero o auxílio do Céu! Que Deus me mande!”

4 Mas trancado no escuro, em agonia, Só escutava alguém que lhe dizia: — “Fique firme, Tutuca, Deus é grande!”

17 Alguém escreveu na lousa Do rico Moura Pamonha:

— Deixou a fortuna aos doidos Depois de vender maconha.

18 Na sepultura comum Da devota Florisbela:

— Morreu fazendo jejum, Comendo numa panela.

19 Não largues ao bem-querer A construção do futuro.

No relógio da paixão Não há ponteiro seguro.

20 “Seguro morreu de velho”, Diz o rifão popular, Mas faleceu de preguiça Com medo de auxiliar.

Cornélio Pires