Fulgor no entardecer · Autores diversos · Chico Xavier

Capítulo 17 de 18

Tarefas interrompidas - Cornélio Pires

1 Em plena mediunidade, Quase sempre, no começo, O médium larga o serviço, Entre os muitos que conheço.

2 Maricotinha Duarte Que mostrava tanta fé, Largou-se do compromisso, Alegando dor no pé.

3 Outra jovem que deixou O trabalho que fazia, Dizendo-se fatigada Foi Adelaide Sofia.

4 Afirmando-se incapaz, Divina da Conceição, Mudou-se caçando ouro Na fazenda do Lajão.

5 Foi grande a infelicidade Do irmão Juquinha Teixeira, Não mais ajudou nos passes E tombou na bebedeira.

6 Falando em grande cansaço, Largou-nos o irmão Joaquim, Mas foi visto obsedado Comendo terra e capim.

7 Fez muita falta, no Centro, A nossa irmã Lia Ernesta, Não quis mais servir de médium E morreu em vinho e festa.

8 Reclamando contra os Céus, Adão, de Campina Rasa, Escondido num recanto, Nunca mais saiu de casa.

9 Liliu deixou de servir, Afirmando-se magoado, Mais tarde estava na rua Revelando-se aleijado.

10 Vendo o trabalho aumentando No Centro, sempre mais cheio, Gil falou que precisava Morar no Sítio do Meio.

11 Deixou-nos para beber O amigo Tito Mateus; Embriagado gritava Que “O mundo é bola de Deus”.

12 Mas atitude infeliz Foi a de Tuca Medina, Desertou de casa e Centro E caiu na jogatina.

13 Doeu-nos o afastamento De Lino, bom companheiro; Quis viver, de luta em luta, Por mais terra e mais dinheiro.

14 Vi muitos médiuns no mundo Com tarefa interrompida, Mas se acharam simplesmente Com mais privação na vida.

15 Muitos encontro no Além, Com alarde ou sem alarde, Lamentando o que fizeram Mas chorando muito tarde. Cornélio Pires