Fulgor no entardecer · Autores diversos · Chico Xavier

Capítulo 16 de 18

Pires e Parola

1 As nossas trovas de hoje São pequeninos recados Para os estudos de amigos Quanto ao Dia de Finados. Cornélio Pires

2 São comuns estas palavras Em covas e mausoléus: “Descansa na vida eterna”, “Foi morar com Deus nos Céus”. Lulu Parola

3 São diversas as legendas, Usando lápis etéreo, Espíritos de fiscais Anotam nos cemitérios. Cornélio Pires

4 Escreveu-se: “Aqui repousa O avarento Zé Moenda… Morreu a coices de burro, Em sua própria fazenda.” Lulu Parola

5 O mau ateu Filizola Zombava de toda fé… Morreu com tétano agudo De um simples bicho de pé. Cornélio Pires

6 Riquíssima traficante, A senhora Magali Bebeu veneno supondo Que era licor de pequi. Lulu Parola

7 Em dois sepulcros distintos, Estão Bebela e Cirino; Bebela chora por ele Ele quer outro destino. Cornélio Pires

8 “Neste túmulo repousa O amigo Joaquim Vilaça… De dia dorme na terra, De noite está na cachaça.” Lulu Parola

9 Ninguém tema as mãos da morte, Sepultura não é caos, As tristes sublegendas Só vigoram para os maus. Cornélio Pires

10 Este assunto é controlado… Fiquemos nós por aqui, Mas vivamos avisados: Cada um cuide de si. Lulu Parola