Cartilha da Natureza · Casimiro Cunha · Chico Xavier

Capítulo 87 de 101

O prato

1 Dentre as cousas mais singelas Do lar carinhoso e grato, É justo reconhecer A doce lição do prato.

2 Esperando calmamente Comensais, em torno à mesa, Exemplifica, bondoso, A ternura e a gentileza.

3 Primoroso companheiro De humildade e de atenção, Por servir a quem tem fome Aguarda o partir do pão.

4 Satisfaz a toda gente, Sem sombra de vaidade, Não olha conveniência, Atende à necessidade.

5 Por vezes, o comensal, A quem o vinho estimula, Entrega-se à embriaguez, À licença, ao crime, à gula.

6 Mas o prato está sereno, Por fazer e obedecer, Permanece em seu lugar, Submisso ao seu dever.

7 Em geral, servem-se dele, Sem qualquer preocupação; Pouca gente lhe dedica O amparo da gratidão.

8 E se o prato, certo dia, Conhece o aniquilamento, Não é por ele, é por nós, No campo do esquecimento.

9 Neste símbolo singelo De obediência e bondade, Sentimos a lei que rege O espírito da amizade.

10 Conserva teu bom amigo, Guarda a luz que recebeste. Não desrespeites na vida O prato onde já comeste. Casimiro Cunha