Cartilha da Natureza · Casimiro Cunha · Chico Xavier
Capítulo 78 de 101
A aranha
1 Geralmente, em toda parte, No ângulo mais sombrio Dos recantos desprezados, Vem a aranha e tece o fio.
2 Escura, silenciosa, Atendendo ao próprio instinto, Seja dia, seja noite, Vai fazendo o labirinto.
3 Por manter o enorme enredo, Insiste e nunca esmorece, Condenar-se por si mesma É seu único interesse.
4 Desdobrando movimentos Nos impulsos insensatos, Pratica perseguições, Multiplica assassinatos.
5 Insetos despreocupados, Na ilusão cariciosa, Transformam-se em prisioneiros Da pequena criminosa.
6 Satisfeita, a aranha escura Prossegue na horrenda lida, Nos venenos que segrega Traz a morte e suga a vida.
7 Mas um dia, o espanador, Na luta material, Vem e arranca essa infeliz Das teias de horror do mal.
8 A aranha, porém, não cede, Com teimosia e com arte, Foge ao bem que se lhe fez, E vai tecer noutra parte.
9 Quem medita na conduta Dessa aranha renitente, Encontra a cópia fiel Da vida de muita gente.
10 A muitos presos do engano, Deus envia a dor e as provas; Mas, depois de libertados, Vão prender-se em redes novas. Casimiro Cunha