Cartilha da Natureza · Casimiro Cunha · Chico Xavier

Capítulo 77 de 101

A lagarta

1 A árvore é grande e bela, Mas, na copa que se alteia, Intromete-se a lagarta Escura, disforme e feia.

2 No tronco maravilhoso, Folhas verdes, flores mil… O traço predominante É a nota primaveril.

3 E basta uma só lagarta De minúscula expressão, Por fazer, na árvore toda, Estrago e devastação.

4 De fato, o conjunto verde É nobre, forte e preciso; Mas, em todos os detalhes, Há sinais de prejuízo.

5 A lagarta rastejante, Mostrengo em miniatura, Vai de uma folha a outra folha, Dilacerando a verdura.

6 As flores, embora belas, Perfumosas e garridas, Aparecem deformadas, Nas corolas carcomidas.

7 O passeio da lagarta, Que demora e persevera, Perturba toda a expressão Da filha da primavera.

8 Por mais que enflore e se esforce, A árvore peregrina Trai, aos olhos, a existência Do verme que a contamina.

9 Encontramos na lição, Desse pobre vegetal, O homem culto e bondoso Com o melindre pessoal.

10 Há muitas almas na Terra, De feição nobre e segura, Mas o melindre é a lagarta Que as persegue e desfigura. Casimiro Cunha