Cartilha da Natureza · Casimiro Cunha · Chico Xavier

Capítulo 75 de 101

A poda

1 Quando é necessária ao campo Produção forte e fiel, Não se pode prescindir Da poda quase cruel.

2 É dolorosa a tarefa Que se comete ao podão, Não só nos tempos de inverno, Como em tempo de verão.

3 No pomar esperançoso, Na vinha feita em verdura, Há, dores indefiníveis Que nascem da podadura.

4 Velhos ramos opulentos, Dilacerados ao corte, Despenham-se amargurados, Vencidos de angústia e morte.

5 Esforça-se a podadeira No galho que cede a custo, E as frondes carinhosas Parecem tremer de susto.

6 Muita vez, toda a folhagem Sucumbe, desaparece, Nobres hastes mutiladas Dão mostras de mãos em prece.

7 Mas, depois, findo o tormento, Passada a grande agonia, Vem a luz da primavera Nas colheitas de alegria.

8 Tudo é festa de beleza, Abundância, fruto e flor, Devendo-se tudo à bênção Da poda que trouxe a dor.

9 Necessita-se igualmente, No campo das criaturas, Das podas em tempo calmo, Em tempos de desventuras.

10 Nas fainas da luta humana, O sofrimento é o podão: Não te furtes à grandeza Das leis de renovação. Casimiro Cunha