Cartilha da Natureza · Casimiro Cunha · Chico Xavier
Capítulo 52 de 101
O açude
1 Vai-se o inverno frio e longo, Volta o tempo desejável. O açude prossegue sempre Na harmonia inalterável.
2 Espelho caricioso Refletindo o céu de anil, É lençol de luz e ouro, Na tarde primaveril.
3 Durante o dia sem sombras, Retrata o Sol a brilhar, Quando a noite vem descendo Guarda os raios do luar.
4 Tudo isso é um quadro lindo, Mas não é só. A represa É a mensagem da prudência No apelo da Natureza.
5 O açude não priva as águas De manter seus bons ofícios, Mas sabe guardar as sobras, Evitando os desperdícios.
6 No organismo inteligente De suas disposições, Fornece canais amigos Em todas as direções.
7 E surgem forças cantando, No pão, na luz, no agasalho. É a vitória da alegria, Na abundância do trabalho.
8 Se a represa não guardasse Com prudência e com carinho, Faltaria o necessário Nos celeiros do caminho.
9 Se o perdulário entendesse O ensinamento do açude, Jamais choraria a falta Do sossego e da saúde.
10 Guardar o que seja justo, Sem torturas de avareza, É da prudência divina No livro da Natureza. Casimiro Cunha