Cartilha da Natureza · Casimiro Cunha · Chico Xavier

Capítulo 48 de 101

A ponte

1 Onde a estrada se biparte, Parando sem que prossiga, Manda o Pai que se construa A ponte bondosa e amiga.

2 Consagrada ao bem dos outros, Todo instante, atenta a isso, Dom dos céus a revelar O espírito de serviço.

3 Suspensa sobre as alturas, Onde uma queda ameaça, Sem privilégio a ninguém, A ponte serve a quem passa.

4 Sempre pronta no caminho, No seu esforço incessante, Todo o tempo, dia e noite, É bondade vigilante.

5 Sanando dificuldades, Dá-se ao que vai e ao que vem, Pratica com todo o mundo A divina lei do bem.

6 Por gozar-lhe toda hora Seu constante e terno amor, Os homens nunca refletem Na extensão do seu valor.

7 Muita vez é necessário, Para que o possam sentir, Que em meio da tempestade A ponte venha a cair.

8 No instante em que cada qual Vê que o bem próprio periga, Já ninguém mais desconhece Quem era essa grande amiga.

9 A ponte silenciosa, No esforço fiel e ativo, É um apelo à lei do amor , Sempre novo, sempre vivo.

10 Vendo-a nobre e generosa, Servindo sem altivez, Convém saber se já fomos Como a ponte alguma vez. Casimiro Cunha