Cartilha da Natureza · Casimiro Cunha · Chico Xavier

Capítulo 49 de 101

O poço

1 Quem segue ao sol calcinante, Com sede desesperada, Rende graças ao Senhor Achando um poço na estrada..

2 O quadro agreste, por vezes, Não tem abrigo nem fonte, Raras árvores se alinham, Perdendo-se no horizonte.

3 Em meio à desolação, Entre o calor e a secura, A cisterna dadivosa, Guarda a bênção da água pura.

4 Há poços de toda idade, Bem calçados, mal assentes, Mais rasos e mais profundos, Em dimensões diferentes.

5 No seu íntimo, entretanto, Trazem todos a água amiga Que socorre aos que sucumbem De desânimo e fadiga.

6 Quem tem sede se aproxima Com cuidado e gratidão, E dispensa ao poço humilde Sempre a máxima atenção.

7 Lançando o copo ansioso Sem notar os sacrifícios, Evita a poeira ou o lodo Que anulem os benefícios.

8 E sorve esse orvalho santo Que vem da terra imperfeita, Com o júbilo generoso De uma oração satisfeita.

9 No mundo, o mesmo acontece: Nas agruras do caminho, Cada qual pode apelar Às posses do seu vizinho.

10 Mas, se agita a lama em torno, Como quem fere e escabuja, O poço, apesar de bom, Só pode dar-lhe água suja. Casimiro Cunha