Cartilha da Natureza · Casimiro Cunha · Chico Xavier

Capítulo 40 de 101

O esterco

1 O esterco que espalha o bem, Vive em luta meritória; Se é pobre, tem seu proveito, Seu caminho, sua história.

2 Quase sempre, chega aos montes Dos redis e dos currais, Escuros remanescentes Da esfera dos animais.

3 De outras vezes, vem das zonas De imundície e esquecimento, Onde a vida se transforma Em triste apodrecimento.

4 Em outras ocasiões, É detrito das estradas Lixo estranho e nauseabundo Das taperas desprezadas.

5 É a decadência das cousas No resumo do imprestável, Fase rude e dolorosa. Da matéria transformável.

6 Em síntese, todo esterco É derrocada ou monturo Que das sombras do passado Lança forças ao futuro.

7 Analisando esse quadro, Veremos que a podridão Vai ser cor, perfume, fruto, Doçura e renovação.

8 Notemos, porém, que a flor Vibra ao alto, linda e santa, Enquanto o adubo não passa Do solo, dos pés da planta.

9 Na vida também é assim: O erro, a miséria, o mal, Podem ser algumas vezes, Esterco espiritual.

10 Todavia, é necessário Que das lutas, através, Aproveitemos o adubo, Esmagando-o sob os pés. Casimiro Cunha