Cartilha da Natureza · Casimiro Cunha · Chico Xavier
Capítulo 39 de 101
O mármore
1 No gabinete isolado Dos serviços de escultura, Há muita cousa que ver Com a vida da criatura.
2 O mármore chega em bloco Dos centros da Natureza, Em trânsito para o campo Do espírito e da beleza.
3 É pedra, vai ser tesouro; É rude, vai ser divino; Todavia, não se sabe Quando chega ao seu destino.
4 Golpe aqui, golpe acolá, O artista começa a luta, É o sonho maravilhoso Amando a matéria bruta.
5 As arestas vão caindo… É a carícia do martelo, Desponta o primeiro traço Vigoroso, firme e belo.
6 O cinzel fere e desbasta, E, às vezes, pede o formão. O artista prossegue atento Dando vida à criação.
7 Golpes fundos, ferimentos… Mas, eis quando se aproxima O termo do esforço longo Na aquisição da obra prima.
8 Depois, é a joia formosa, De valor alto e profundo, Que as fortunas de milhões Não podem fazer no mundo.
9 Esse mármore da Terra, No fundo, é qualquer pessoa, O artista é o tempo, e o cinzel, A luta que aperfeiçoa.
10 Quando os golpes de amargura Te cortarem o coração, Recorda o cinzel divino Que dá forma e perfeição. Casimiro Cunha