Cartilha da Natureza · Casimiro Cunha · Chico Xavier

Capítulo 41 de 101

A cova

1 Raro é aquele que medita Contemplando a terra impura, No trabalho peregrino Da cova pequena e escura.

2 Assemelha-se à ferida Sobre a leira dadivosa, Indício de golpes fundos Da enxada laboriosa.

3 Mas, na essência, a cova simples, Singela, desconhecida, É o altar da Natureza, Celebrando a luz da vida.

4 É seio aberto à beleza, Ao bem que se perpetua, A existência renovada Que se eleva e continua.

5 É o sepulcro onde a semente, Em sombra e separação, Vai, morrendo, reviver Nas bênçãos da Criação.

6 E eis que a vida se elabora Nessa doce intimidade, Renovando-se aos impulsos De força e imortalidade.

7 Depois do apodrecimento, Germinação e esplendores, Verdes galhos de esperança, Tenros ninhos promissores.

8 Mais tarde, o tronco, a colheita Na fartura indefinida… Tudo, a obra generosa Da cova humilde e esquecida.

9 Esse símbolo expressivo Vem lembrar, à criatura, O campo do cemitério E o quadro da sepultura.

10 Inda aí, a cova amiga É sempre o sublime umbral, Porta, aberta ao crescimento No Plano espiritual. Casimiro Cunha