Cartilha da Natureza · Casimiro Cunha · Chico Xavier
Capítulo 32 de 101
A muda
1 Quem penetre no jardim, Quando em plena floração, Não pode dissimular Sincera admiração.
2 Açucenas desabrocham Desdobrando-se em beleza, Mostrando a maternidade Das forças da Natureza..
3 Além do jardim florido, Quem se dirija ao pomar, Experimenta emoção Que não pode disfarçar.
4 As árvores generosas, Sob auréolas de verdura, Servem pomos de bondade Às mesas da criatura.
5 Flores ricas, frutos nobres, Na abundância indefinível, Demonstram a Providência Na bondade inexaurível.
6 Observe-se, porém, Como quem cumpre o dever, Que o nosso primeiro impulso Vem da ideia de colher.
7 As flores são decepadas, Esmaga-se o fruto a esmo, Em tudo o egoísmo extremo, Dando conta de si mesmo.
8 São raros os previdentes Que guardam consigo a muda, Por plantá-la com desvelo Na terra que sempre ajuda.
9 Em nossa vida, igualmente, Se vamos à luz dos bons, Refletimos tão somente Na colheita de seus dons.
10 Não basta, porém, ganhar, Por deixarmos de ser pobre: Plantemos em nossa vida A muda do exemplo nobre. Casimiro Cunha