Cartilha da Natureza · Casimiro Cunha · Chico Xavier
Capítulo 33 de 101
O botão
1 Na extrema delicadeza Da verdura perfumosa, Destaca-se pequenino O tenro botão de rosa.
2 Não há sinal de corola, Vê-se apenas que começa A surgir a flor divina Num cálice de promessa.
3 E às vezes, nas alegrias De doce festividade, Espera-se pela rosa No caminho da ansiedade.
4 Deseja-se a flor robusta Com que se adorne a beleza, Mas não há lei que perturbe Os passos da Natureza.
5 É certo que toda rosa, Como joia de paisagem, Nunca pode prescindir Do zelo da jardinagem.
6 Precisa tempo, entretanto, Na sombra e na claridade, Requerendo orvalho e sol, Noites, chuva, tempestade.
7 Por crescer, pede cuidado Nos inícios da existência, Mas, morrerá com certeza A golpes de violência.
8 Assim, também, quase sempre, A muita crença em botão Tentamos impor, à força, A nossa compreensão.
9 Toda crença é patrimônio Que não surge improvisado; É a rosa da experiência, Em terras do aprendizado.
10 Se tua alma vive em festa, Na fé que pratica o bem, Ajuda, coopera e passa… Não busques torcer ninguém. Casimiro Cunha