Cartilha da Natureza · Casimiro Cunha · Chico Xavier
Capítulo 31 de 101
O barbicacho
1 Por vezes, na atividade Das viagens, do transporte, O animal em disparada Promete desastre e morte.
2 Por mais que sustenha a rédea E colabore o cocheiro, Em tudo, paira a ameaça De rumo ao despenhadeiro.
3 Trabalhos imprescindíveis Sofreriam dilação, Se o condutor não agisse Com firmeza e precisão.
4 Antecipando o terror Da descida, abismo abaixo, O montador ou o cocheiro Recorrem ao barbicacho.
5 Reage o animal teimoso, Rebela-se e pinoteia, Mas tudo cessa de pronto, Na apertura da correia.
6 Se busca saltar de novo Sob fúria mais violenta, Eis que lhe vaza da boca Espuma sanguinolenta.
7 De queixo posto no entrave, Qualquer coice dado a esmo, Se pode ofender aos outros, Dói muito mais nele mesmo.
8 Em pouco tempo o rebelde, Agora sem mais descanso, Trabalha tranquilamente Humilde, bondoso e manso.
9 Assim, também muita gente Em falsa compreensão, Ao invés de trabalhar, Faz queixa e reclamação.
10 Contudo, à beira do abismo, Antes da queda ao mais baixo, Recebem os linguarudos A bênção de um barbicacho. Casimiro Cunha