Cartilha da Natureza · Casimiro Cunha · Chico Xavier

Capítulo 30 de 101

A canga

1 Pleno campo, céu de anil, Que o sol dourado ilumina, A primavera traz flores De fragrância peregrina.

2 Em tudo palpita o belo Na sublime transcendência, Das dádivas generosas Da Divina Providência.

3 Os bois, porém, desconhecem Se há mistérios da beleza E gastam no atrito longo As forças da Natureza.

4 Acende-se a luta enorme, Chifradas, golpes violentos, Ruído ensurdecedor, Pêlos rotos, pés sangrentos.

5 Há flores espatifadas Nos caminhos da abundância, É cegueira, dor e morte Em males da ignorância.

6 Mas, um dia, o lavrador, Notando a exigência ativa, Vendo a zona perturbada, Traz a canga educativa.

7 Os brigões acham de novo A paz, a harmonia, o bem. O sofrimento em conjunto É o campo que lhes convém.

8 Toleram-se mutuamente Sem rixas nem desatinos, E aprendem a trabalhar Sem desprezo aos dons divinos.

9 Muita vez também, no mundo, Parentesco e obrigação, São recursos necessários Às luzes da educação.

10 Amigo, se estás na canga De lutas indefinidas, Não fujas, atende a Deus, Cura os males de outras vidas. Casimiro Cunha [1] No original: “Os bons”