Antologia dos Imortais · F. C. Xavier. — Waldo Vieira · Chico Xavier

Capítulo 102 de 116

Adelaide Câmara

ENTENDE A JESUS

1 Escuta a voz do amor por onde fores, Guarda contigo as láureas da ventura, E esparze por mil gestos redentores A luz da paz à senda mais obscura.

2 Contempla a Vida em bênçãos multicores No roteiro da anônima criatura, A flor, o orvalho, a brisa e os resplendores Do céu azul na fonte d’água pura…

3 Descobre em tudo as dádivas celestes Sustendo docemente os passos, prestes A cair nos abismos da jornada.

4 Fala, sorri, estuda, canta e ora, Mas entende a Jesus que espera e chora No triste olhar da infância abandonada!

[1] ADELAIDE Augusta CÂMARA (AURA CELESTE) — Poetisa, conferencista, contista e educadora, deixou belas páginas lítero-doutrinárias, em prosa e verso, subscrevendo-as geralmente com o pseudônimo de Aura Celeste. Levada ao Espiritismo pelo Dr. Adolfo Bezerra de Menezes, trabalhou em diversas instituições espíritas do Rio de Janeiro, a elas dedicando o melhor de suas energias. Fundadora e diretora do Asilo Espírita “João Evangelista”, lar para crianças desprotegidas, onde realizou a tarefa máxima de educadora competente e extremosa. Entre as várias faculdades mediúnicas de que era dotada, sobressaíram a receitista e a psicofônica. Prefaciando-lhe o livro Vozes d’Alma, Leal de Souza chamou-lhe “a grande Musa moderna, a Musa espiritualista”. (Natal, Rio Grande do Norte, 11 de Janeiro de 1874 — Rio de Janeiro, Gb, 24 de Outubro de 1944.) BIBLIOGRAFIA: Vozes d’Alma, versos; Sentimentais, versos; Aspectos da Alma, contos; Palavras Espíritas, palestras; etc. Obras de sua mediunidade: Orvalhos do Céu; Do Além; etc. [2] Verso 7 - Observe-se a enumeração.

[3] Verso 10 - Note-se o gosto da poetisa para o uso do “enjambement”. [4] Verso 12 - Leia-se com hiato: can/ta e/ o/ra.