Antologia dos Imortais · F. C. Xavier. — Waldo Vieira · Chico Xavier
Capítulo 103 de 116
Guterres Casses
TARDE DEMAIS
1 O insucesso no amor — torva loucura!
Minara-lhe a razão já combalida, E no silêncio atroz da noite escura Resolve exterminar a própria vida…
2 A taça de veneno, em mão segura, Tomba o corpo no espasmo da partida…
Horas depois, em brasas de tortura, A alma da jovem clama, arrependida!…
3 Junto à forma indefesa, enregelada, Ela, à feição de rosa, jaz pendida Da haste imóvel e triste a que se aferra…
4 Convertera em abismo a curta estrada!
E, entre abatida e pávida, a suicida Tarde demais pranteia sobre a terra!…
[1] Átila GUTERRES CASSES — Jornalista e poeta, pertenceu Guterres Casses à Sociedade de Homens e Letras do Brasil, bem como à extinta Academia Riograndense de Letras, onde ocupou a cadeira nº 9. “Uma das figuras mais representativas do Parnaso Gaúcho”, segundo Antônio Carlos Machado (Col. Poetas Sul-Riogr., pág. 243). Promotor público em várias cidades do seu Estado. Inspetor Federal do Ensino e redator da revista A Noite Ilustrada, do Rio. (Alegrete, Rio Grande do Sul, 26 de Junho de 1890 — Rio de Janeiro, Gb, 28 de Novembro de 1945.) BIBLIOGRAFIA: Stradivarius, versos. Deixou inéditos: Filigranas e Rimas d’Antanho. [2] Verso 10 - Observe-se o “enjambement”.
[3] Verso 14 - Guterres Casses inscreveu em sua obra Stradivarius algumas composições de sentimento reencarnacionista. Alinham-se, entre outros, esses sonetos em que o vate prega a doutrina das vidas sucessivas: “Introspecção” (pág. 86), “Reencarnação” (pág. 87), “Esto Memor” (pág. 88), “Avatar” (pág. 90), etc. Satisfaremos a curiosidade do leitor, transcrevendo o belíssimo soneto “Reencarnação”, dedicado pelo Autor a Argeu Veiga: “Na expiação de falhas milenárias, Eis-me de novo na matéria inglória!
E, dessas migrações extraordinárias, Nada guardei nas aras da memória!…
Não sei que culpas ou que faltas várias Perpetrei nessa antiga trajetória!
Nem que lições cruéis e necessárias Eu recebi na fase transitória!…
Não lembro o que me deu essa outra vida:
Se foi brilhante e farta em seus prazeres, Ou foi trevosa e pobre e dolorida!…
Mas sei que volto às multiformas vis, Pelo Mal que causei aos outros seres, Pelo Bem que colhi e que não fiz!…”