Antologia dos Imortais · F. C. Xavier. — Waldo Vieira · Chico Xavier

Capítulo 101 de 116

Erasmo Júnior

LUXO E LIXO

1 Às vezes, dizes: “Trabalho É carroção que não puxo.” E avanças devagarinho Para a gaiola do luxo. Lá dentro, acabas suando, Qual estudante no espicho, Aprendendo, muito tarde, Que o ócio é cama de lixo.

2 Entornas grandes promessas Em fala, sonho, debuxo, No entanto, buscas, primeiro, Conforto, destaque, luxo… Consomes a força e o tempo Em sono, prato, cochicho, E, um dia, clamas debalde No escuro montão do lixo.

3 Anseias dinheiro a rodo, Cheque e cheque em papelucho, Regalo de toda espécie, Caminho talhado em luxo… Mas, depois de tanto fausto, Tanto enfeite, tanto nicho, Mergulhas além da morte Na grande maré do lixo.

4 Não conserves a existência Por tesouro no cartucho. Muita gente afunda e morre No antigo atascal do luxo. O bem de todos é a lei Que a vida guarda a capricho. Repara que todo excesso Vem do luxo e cai no lixo. [1] ERASMO JÚNIOR (Deraldo Dias de Morais) — Formou-se, em 1918, pela Faculdade de Medicina da Bahia. Catedrático de latim no então Ginásio da Bahia. Na revista A Luva, criou uma seção de versos humorísticos intitulada “A Bandurra de Ferro”, assinando-a com o pseudônimo Erasmo Júnior, geralmente usado em suas produções poéticas, segundo informa Aloysio de Carvalho Filho (Coletânea Poet. Bahianos, pág. 161). Pertenceu à Academia de Letras da Bahia, tendo ocupado a cadeira nº 19. (Salvador, Bahia, 24 de Fevereiro de 1896 — Salvador, 9 de Agosto de 1943.)