Volta Bocage… · Manuel M. B. du Bocage · Chico Xavier

Capítulo 11 de 15

Soneto 11

1 Louvores não entoes ao pego impuro De vaidades cruéis e vis mentiras, Sublime e casta Musa, que suspiras Pela Terra perfeita do futuro.

2 Patrocina-me o plectro mal seguro, Pobre arrabil ao pé de doutas liras; Alimenta a esperança, que me inspiras, Nos páramos ditosos que procuro.

3 Ninfa maravilhosa, vem comigo, Concede ao vate humilde, que te adora, O níveo braço, o terno peito amigo!

4 Guia-me o passo incerto vida a fora! Abre-me as portas do Divino Abrigo, Vênus Celeste da Divina Aurora! Mel. Mª de Barbosa du Bocage Aconselha o poeta que não devemos dedicar a inteligência às coisas mesquinhas, mas aspiremos a um mundo melhor, sonhando um planeta perfeito, onde vivamos, depois de expulsos da Terra os Espíritos inferiores; peçamos do Alto forças para continuarmos a nutrir bons sentimentos, na esperança de atingir a perfeição. Essa aspiração não é mero desejo de afastamento do lodoso círculo em que vivemos; reflete, antes, a necessidade, que sente o poeta, de combater todo o mal, a fim de que sejamos dignos do estado a que aspiramos e a que devemos aspirar, por nosso próprio benefício: assim se cumprirá a lei do progresso do indivíduo e do meio. O novo estado, mais evolvido, é qual outra aurora, em cujo horizonte deverá brilhar a estrela matutina, abrindo as portas do Divino Abrigo. Daí decorre, outrossim, a responsabilidade de cada um de nós em qualquer posição que ocupemos na sociedade: respondemos não só por nós mesmos, senão também pela coletividade. Pensamentos, palavras e obras são instrumentos por vezes mais vivos e eficazes do que os materiais; devem ser, de conseguinte, postos a serviço da Lei Divina, que é construtiva, antes que do regime da força, que destrói. L. C. Porto Carreiro Neto