Volta Bocage… · Manuel M. B. du Bocage · Chico Xavier
Capítulo 10 de 15
Soneto 10
1 Pobre vate de vão merecimento, Que viveste a esbanjar talento e rimas, Foge ao sonho mendaz que desestimas, Nem procures Harpias do Tormento.
2 Chora, Bocage, a perda que lamento — O desprezo do tempo em vários climas, Dura lembrança que também lastimas, Na paz buscando imoto esquecimento.
3 O que é da Terra, clama, tudo passa: Tanto a flor veludosa da Ventura, Quanto o acerado acúleo da Desgraça.
4 De Citereia foge a formosura; E enquanto o escrínio vil é dado à traça, Os empíreos vergéis a alma procura! Mel. Mª de Barbosa du Bocage O poeta lastima o esbanjamento de seu talento e de suas horas. Tudo isto, clama-nos, lhe foi sem proveito, pois tudo é fugidio neste planeta, onde ilusórias são a aura da Ventura e o furacão da Desgraça. Nem a uma, nem a outra devemos dar importância maior; cumpre-nos fruir a efêmera felicidade, como suportar os não menos fugazes reveses, com o olhar posto em Esferas mais elevadas, para onde o Espírito voa, deixando à destruição o invólucro provisório. Construamos, pois, com vistas à Eternidade; nem a obra do Senhor de todos os seres se firmaria em tão perecível fundamento, quais as ilusões da Terra. L. C. Porto Carreiro Neto