Revista Espírita · Allan Kardec
Capítulo 28 de 118
Mãe e filho
Num berço rosa e branco uma criança, Um belo anjo que um cântico embalava; No olhar santo da mãe quanta esperança, No filho, ébria de amor, terna o velava!… Oh! como é belo o filho de minha alma!… Dorme, querido, estou contigo, assim… Ao despertares do carinho a palma E teus beijos serão só para mim!… Oh! como é belo!… Deus, tomais-me a vida Se de mim o tirares, amanhã… Guardai-o bem, vos rogo enternecida!… Já sua boca murmurou: Mamã!!!. Este nome tão doce… e se vigia Na primavera qual raio de sol… É palavra de amor cuja harmonia Nos faz sonhar com o céu em voz bemol!… Oh! por seus braços ao ser enroscada, Quando em meu seio lhe ouço o coração, Eu sou feliz, minh’alma inebriada Feliz partilha de excelsa emoção… É tudo para mim… Ele é meu sonho! Para ele só viver… é minha sorte. Seiva de meu amor vivo e risonho, Deste berço afastar-se deve a morte!!!… Brevemente, meu Deus, por mim seguro Vê-lo-ei ensaiar primeiros passos!… Oh! que dia feliz… vem, vem futuro… Eu temo que não chegues aos meus braços! E mais ainda, eu na minha esperança Bem grande o vejo e virtuoso e honrado, A pureza do tempo de criança De o conduzir feliz tendo guardado. Oh! como é belo… Deus, tomais-me a vida Se a desgraça o abater lá no amanhã! Conservai-o, eu imploro, agradecida, Já sua boca murmurou: Mamã!!… Mas está frio… e pálido seu lábio! Acorda, filho de meu coração! Vem sobre o seio meu… Ó Deus, és sábio, Vê que ele está gelado… E eu tremo, então!! Ah! fez-se o fim! De viver já cessou! Desgraça sobre mim! Perdi meu filho! Deus sem piedade… enraivecida estou… Não sois um Deus de amor e justo brilho! Este anjo de inocência que vos fez Para o tomardes já de meu amor?… Abjuro a minha crença, aqui, de vez… E aos vossos olhos morro em minha dor… “Mãe!… Sou eu!… A minha alma se evolou “E o Eterno reenviou-me aos pés de ti. “Renega a raiva, mãe, que te manchou; “Retorna a Deus… trago-te a Fé, aqui!… “Curva-te às leis de Deus para o teu bem. “És mãe culpada, em remoto passado… “Fizeste um filho teu morrer também: “Deus te puniu!… Pagá-lo pois te é dado! “Toma este livro; ele te acalmará. “Ditado por Espíritos, o trilho, “Se o leres, mãe, de certo mostrará “Onde um dia, no céu, terás teu filho!!! Teu anjo de Guarda.
Allan Kardec.
Paris. — Typ. de Cosson et Ce rue du Four-St-Germain, 43.