Palavras sublimes · Autores diversos · Chico Xavier
Capítulo 65 de 78
Voz do túmulo - Antero de Quental
1 Ante o negrume do jazigo aberto, Interroguei, chorando, ansioso, um dia: — Onde guardas o monstro que me espia, Gemendo à espreita do meu passo incerto?
2 Maldito sejas, leito recoberto De miséria de angústia e de agonia! Onde acabas, garganta escura e fria, Sob o pavor da morte que vem perto?
3 Mas, divina e triunfal, no mesmo instante Uma voz respondeu do abismo hiante: — Foge ao tremendo engano que te invade!
4 No paço estreito destas sombras mortas, Escondo o brilho das divinas portas Que abrem a glória da imortalidade! Antero de Quental Reformador — Dezembro de 1948.