Palavras sublimes · Autores diversos · Chico Xavier

Capítulo 63 de 78

Do discípulo ao mestre - Augusto dos Anjos

I

1 Torna Caim ao lodo subterrâneo. Ante a espada homicida se prosterna, Apagando a flamívoma lanterna Do raciocínio que lhe flui do crânio.

2 Nele o impulso do bem morre frustrâneo Sob a força que, ríspida, o governa Desde o negro machado da caverna À tragédia dos átomos de urânio.

3 Rei protervo da carne, a sombra estende-o Num caminho de sangue e vilipêndio, — Triste lobo a exibir trismos medonhos!

4 Anjo e besta, no ergástulo da treva, Chora e ruge no orgulho que o subleva E cai vencido sob os próprios sonhos. II

1 Senhor, este é o herói do desconforto, De fronte enorme e pensamentos parcos Que ainda escarnece dos divinos marcos, Que acendeste no mundo amargo e morto…

2 Sofre a angústia do náufrago sem porto E embora eleve chamejantes arcos Traz consigo o veneno que há nos charcos E os resíduos genésicos do aborto.

3 Multiplica-lhe os títulos avulsos De sofrimento que lhe algeme os pulsos, Vigiando-lhe o espírito inconverso!

4 Sem tua cruz de lágrimas divinas, Transformaria a Terra que iluminas Em trevoso presídio do Universo! Augusto dos Anjos Reformador — Novembro de 1948. [1] Consta do original a informação de que esse soneto foi psicografado em 31 de outubro de 1948.