Ponto de encontro · Jair Presente · Chico Xavier

Capítulo 17 de 21

Preço alto

1 O Coronel Arquimino, Abastado fazendeiro, Dispunha de muitas glebas, De dinheiro e mais dinheiro.

2 Era, porém, avarento Em tão extensa medida, Que conservava em sacolas Qualquer resto de comida.

3 Fizera-se conhecido Por homem mau e seguro, Sempre citado no povo Por “Arquimino Pão Duro”.

4 Quatro fazendas no campo, Bela mansão na cidade, Detestava dar esmolas, Criticava a caridade.

5 Certo dia, na varanda, Alegrava-se entre amigos, Dizendo quanto odiava Os pedinchões e os mendigos.

6 Nisso, estaca junto à escada Que dava acesso à varanda, O aleijado Joaquim Bola, Que se arrasta e diz que anda…

7 — “Seu” Coronel Arquimino Falou Joaquim com respeito: — Peço ao senhor algum pão, Minha fome não tem jeito…

8 Já procurei na cidade As casas, uma por uma, Rogando auxílio e socorro, Não achei comida alguma…

9 Arquimino, enraivecido, De cima, disse a Joaquim: — Saia já de minha porta Ou eu mesmo lhe dou fim.

10 Você se faz de aleijado Pedindo dinheiro e pão, No entanto, você não passa De vagabundo e ladrão.

11 — Ah! Coronel, não me afronte, Clamou o pobre Joaquim Não minto… sou aleijado, Desde o berço, eu sou assim…

12 — Você inda me responde? — Gritou o dono da casa Meu pontapé dá lições… Você vai ver minha brasa.

13 Em fúria, espantando a todos, Passou a descer a escada, Mas logo, ao segundo lance, Caiu, de perna quebrada.

14 Abeiraram-se os amigos… As cenas ficaram feias; Toda a perna estava em sangue, No rompimento de veias.

15 Carregado, em altos gritos, Foi levado a um hospital, Sofreu longa operação E anestesia geral.

16 Foi assim que o Coronel Que negou alguns tostões, Sarou e voltou à casa, Mas pagou trinta milhões. Jair Presente