Ponto de encontro · Jair Presente · Chico Xavier

Capítulo 16 de 21

Traíras

1 É uma estória de ficção, Que atiro hoje no ar, Um simples caso de peixes E uma lição de pensar.

2 Traíra bastante idosa Nadava forte e serena, Fazendo-se acompanhar Por uma filha pequena.

3 A mãe-traíra dissera Para a traíra-menina: — “Filha, é preciso aprender As lições que a vida ensina.

4 Hoje, vamos rio abaixo, Evite lixo e barrela, Siga sempre junto a mim, No máximo de cautela.”

5 Depois, falou das lembranças De queridas companheiras, De excursões em dias claros, De flores e cachoeiras.

6 O passeio ia tranquilo E eis que a dupla se apoquenta, Vendo um pedaço vermelho De carne sanguinolenta.

7 A traíra mais idosa Mostrou-se muito assustada, Pedindo, porém, à filha Que ficasse acomodada.

8 Em seguida, lhe falou: — “Ouça, calma e fique arisca!… A carne que estamos vendo Tem nome: chama-se isca.

9 “Dentro dela, existe um chuço Que tem o nome de anzol. Um punhal curvo e cruel Que se vê, à luz do sol.

10 “Atrás dele fica um homem Que o governa com mão forte, Espalhando em nossas águas Terríveis quadros da morte.

11 “Já vi muitos companheiros Pelo anzol, sendo arrancados E há quem diga que depois São eles estraçalhados.

12 “Agora, fuja, filhinha, Cheiro de carne extravasa… Seja traíra correta, Vivendo dentro de casa.”

13 Em seguida, foi à isca… Disse à filha: “Saiba disto: Esta carne em sangue é linda!… Sou traíra e não resisto.”

14 Passou a comer a isca, Bocada para bocada, Mas quando caiu no anzol Logo, logo, foi pescada.

15 A filha voltou a sós, A recordar mãe-traíra, Pensando no que escutara E meditando o que vira. Jair Presente