Parnaso de Além-Túmulo · Autores diversos · Chico Xavier

Capítulo 10 de 58

Amaral Ornellas

Funcionário público. Nasceu no Rio de Janeiro em 20 de outubro de 1885 e desencarnou a 5 de janeiro de 1923. Talento brilhante, deixou dois volumes de Poesia, consagrados pela crítica coeva, além de copiosa literatura teatral e doutrinária. Ave Maria

1 Ave Maria! Senhora Do Amor que ampara e redime, Ai do mundo se não fora A vossa missão sublime!

2 Cheia de graça e bondade, É por vós que conhecemos A eterna revelação Da vida em seus dons supremos.

3 O Senhor sempre é convosco, Mensageira da ternura, Providência dos que choram Nas sombras da desventura.

4 Bendita sois vós, Rainha!

Estrela da Humanidade Rosa mística da fé, Lírio puro da humildade!

5 Entre as mulheres sois vós A Mãe das mães desvalidas, Nossa porta de esperança, E Anjo de nossas vidas!

6 Bendito o fruto imortal Da vossa missão de luz, Desde a paz da Manjedoura, Às dores, além da Cruz.

7 Assim seja para sempre, Oh! Divina Soberana, Refúgio dos que padecem Nas dores da luta humana.

8 Ave Maria! Senhora Do Amor que ampara e redime, Ai do mundo se não fora A vossa missão sublime!

O Tempo

1 O tempo é o campo eterno em que a vida enxameia Sabedoria e amor na estrada meritória. Nele o bem cedo atinge a colheita da glória E o mal desce ao paul de lama, cinza e areia.

2 Esquece a mágoa hostil que te oprime e alanceia. Toda amargura é sombra enfermiça e ilusória… Trabalha, espera e crê… O serviço é vitória E cada coração recolhe o que semeia.

3 Dor e luta na Terra — a Celeste Oficina — São portas aurorais para a Mansão Divina, Purifica-te e cresce, amando por vencê-las…

4 Serve sem perguntar por «onde», «como» e «quando», E, nos braços do Tempo, ascenderás cantando Aos Píncaros da Luz, no País das Estrelas! Amaral Ornellas