Parnaso de Além-Túmulo · Autores diversos · Chico Xavier

Capítulo 7 de 58

Alma Eros

A chuva benéfica e abundante cai dos céus Mitigando a sede da terra.

Assim também, o Amado faz chover sobre os homens Os poderes e as bênçãos.

No entanto, choras e desesperas…

Porque não recolheste a tempo a tua parte? — Nada vi — responderás…

É porque teus olhos estavam nevoados na atmosfera do sonho. O Senhor passa todos os dias, Distribuindo os dons celestiais, Mas as ânforas do teu coração vivem transbordando de substâncias estranhas. Aqui, guardas o vinagre dos desenganos, Acolá, o envenenado licor dos caprichos. O Amado é incapaz de violentar a tua alma. Seu carinho aguarda a confiança espontânea, Seu coração freme de júbilo, Na expectativa de entregar-te os tesouros eternos… Mas, até agora, Persegues a fantasia e alimentas furiosamente a ilusão. Todavia, o Amado espera.

E dia virá, Na estrada longa do destino, Em que estenderás ao seu amor infinito O cálice do coração lavado e vazio.

O irmão Porque ajuízas com ironia.

Sobre as obscuridades do irmão que sobe dificilmente a montanha? Quando atravessava a floresta O pobrezinho julgou que o Amado lhe falava à mente pela voz do trovão E lhe erigiu altares Enfeitados de flechas.

Depois, Quando penetrou noutros círculos, Acreditou que o Senhor pertencia somente ao seu grupo E que as outras comunidades humanas eram condenadas… Lutou, sofreu, feriu-se em dolorosas experiências. O Amado, porém, jamais o deserdou por isso. Deu-lhe novas forças, Concedeu-lhe oportunidades diferentes. Por vezes, Buscou-o no fundo dos abismos, Como pai carinhoso, Em busca da criancinha abandonada.

De tempos a tempos, Fê-lo dormir no regaço, Ao influxo do bendito esquecimento, Para que o sol do trabalho lhe sorrisse outra vez. Não observas em seu caminho áspero a tua própria história? Não atormentes com palavras amargas o irmão que se eleva Laboriosamente, Dando ao mundo o que possui de melhor. Ama-o, faze-lhe o bem que possas.

Se já atingiste Algum topo de colina, Contempla as culminâncias que te aguardam Entre as nuvens, E estende as mãos fraternas Àquele que ainda não pode ver o que já vês. Alma Eros