Parnaso de Além-Túmulo · Autores diversos · Chico Xavier

Capítulo 6 de 58

Alphonsus de Guimaraens

Afonso Henrique da Costa Guimarães, poeta mineiro, natural de Ouro Preto. Nasceu aos 24 de julho de 1870 e desencarnou em 15 de julho de 1921. Magistrado, jornalista e poeta, notabilizou-se principalmente pela tonalidade mística do seu estro, qual se afirma em suas obras: Dona Mística, Septenário das Dores, Kiriale, Escada de Jacob, etc. Aos crentes

1 Ó crentes de uma outra vida, Que andais no mundo exilados, Nos caminhos enevoados, Lendo o missal da amargura!

2 Esperai a sepultura, Ó crentes de uma outra vida!…

3 Tangei harpas de esperança, Nas lutas de vossa Esfera, Porque a Morte é a primavera Luminosa, eterna e imensa…

4 Filhos da paz e da crença Tangei harpas de esperança!… Redivivo

1 Sou o cantor das místicas baladas Que, em volutas de flores e de incenso, Achou, no Espaço luminoso e imenso, O perfume das hóstias consagradas.

2 Almas que andais gemendo nas estradas Da amargura e da dor, eu vos pertenço, Atravessai o nevoeiro denso Em que viveis no mundo, amortalhadas.

3 Almas tristes de freiras e sorores, Sobre quem a saudade despetala Os seus lírios de pálidos fulgores;

4 Eu ressurjo nos místicos prazeres, De vos cantar, na sombra onde se exala Um perfume de altar e misereres… Sinos

1 Escuto ainda a voz dos campanários Entre aromas de rosas e açucenas, Vozes de sinos pelos santuários, Enchendo as grandes vastidões serenas…

2 E seguindo outros seres solitários, Retomo velhos quadros, velhas cenas, Rezando as orações dos Septenários, Dos Ofícios, dos Terços, das Novenas…

3 A morte que nos salva não nos priva De ir ao pé de um sacrário abandonado, Chorar, como inda faz a alma cativa!

4 Ó sinos dolorosos e plangentes, Cantai, como cantáveis no passado, Dizendo a mesma Fé que salva os crentes!… Santa Virgo Virginum

1 Sobe da Terra, em ondas luminosas, Um turbilhão de vozes e de lírios, Buscando-vos nas Luzes Harmoniosas, Oh! Virgem da Pureza e dos Martírios!

2 Imagens de turíbulos e rosas Aromatizam todos os empíreos… Há na Terra canções maravilhosas Entre as luzes e as lágrimas dos círios.

3 Senhora, o mundo inteiro vos festeja, Em magnificência ampla e radiosa, Nos altares simbólicos da Igreja!

4 Eis, porém, que vos vejo nos caminhos, Onde a vossa virtude carinhosa Consola e ampara os fracos pobrezinhos… Alphonsus de Guimaraens