Parnaso de Além-Túmulo · Autores diversos · Chico Xavier

Capítulo 54 de 58

Souza Caldas

Nascido na cidade do Rio de Janeiro, em 1762, e aí desencarnado em 1814. Formado em Direito pela Universidade de Coimbra, abraçou mais tarde a carreira eclesiástica, ordenando-se em Roma. Dizem que as suas melhores composições, as que o levaram a ser preso pelo Santo Ofício, perderam-se. Acreditamos que o médium ignorava a circunstância de ser a tradução dos Salmos de David, justamente, de suas obras poéticas, a mais apreciada. Ato de contrição

1 A vós Senhor, Meu Deus De Amor, Minhalma Implora A salvação!

2 Meu Pai, Bem sei Que mal Andei, Buscando O erro E a imperfeição;

3 Assim Pequei, Na treva Errei, E jus Eu fiz À expiação.

4 Vós sois, Porém, Farol Do Bem!

Ouvi Dos Céus Minha oração.

5 Sois vós A luz, E junto À cruz Do meu Sofrer, Quero o perdão;

6 Perdão Que traz Sossego E paz Ao meu Viver Na provação.

7 Suplico-o A vós, Na dor Atroz, Amara E rude Da contrição!

8 Dai ao Meu ser, Aflito Ao ver O seu Pecado, A redenção;

9 E hei-de Poder Feliz Vencer Do mal Cruel O atroz dragão! Versão do Salmo 12

1 Senhor dos Mundos! Na Terra inteira, Os maus somente é que dominam, Rudes tiranos e os impiedosos De coração.

2 Ganham favores, buscam louvores, Espezinhando seus semelhantes, Tripudiando nas vossas leis, Ímpios que são.

3 Causam a ruína da vossa casa, Lançam injúrias ao vosso nome, Adoradores da iniquidade, Da imperfeição.

4 Vossas ovelhas são confundidas, E sufocadas pelo amargor, Fracas e pobres andam saudosas, Do vosso amor.

5 São elas todas, pobres e humildes, Glorificai-as, meu Criador! Alevantai-as do abismo escuro Com a vossa luz!

6 Vossa bondade, imensa e eterna, É a esperança dos pecadores; Pai amoroso, salvai os homens, Confio em vós! Versão do Salmo 18

1 Por toda a parte Veja a criatura, Na noite escura Da sua dor, A eterna força De um Deus clemente, Onipotente, Cheio de amor.

2 Astros e mundos No céu girando, Aves cantando, O mar e a flor, Todos os seres Hinos entoem, Cantos ressoem Ao Criador!

3 Eterno Artífice Que os sóis modela, Lustres da auréola Da Criação, Sois a bondade A mais perfeita, A Luz Eleita, A salvação.

4 Doce refúgio Dos desgraçados, Aos meus pecados, Muitos que são, Imploro e clamo, Com o meu Espírito Turbado e aflito, Vosso perdão.

5 Que desprezei O ouro brilhante, Lindo e faiscante, Bem sei, Senhor! Como fugi Da hora fugace Que me afastasse Do vosso amor!

6 Mas bem sabeis Que a carne impura Leva a criatura A mais pecar; Fazendo assim Pra meu tormento, Meu pensamento Prevaricar.

7 Porém, o vosso Amor profundo Redime o mundo Do padecer; Dando-lhe o tempo E áspera lida Para na vida Tudo vencer.

8 Vós que acendestes Faróis brilhantes, Sóis rutilantes D’almo esplendor, Cantando a vida, A onipotência E a pura essência Do vosso amor!

9 Que sois o sol Dos universos, Mundos dispersos Na imensidão, Além da força Vós sois, também, O sumo bem E a perfeição Que vence o mal, O orgulho e a dor, Que o pecador No coração Guarda com zelo, Cruéis imigos, Que são amigos Da perdição.

10 Misericórdia, Assim espero, Almejo e quero Para que eu E os meus irmãos O mal deixemos E abandonemos Buscando o Céu.

11 Por vossa causa O maior gozo, Esplendoroso, Desprezarei, Para que eu viva Na luz fulgente, Eternamente, Da vossa lei.

12 Assim, Senhor, Minhalma aguarda A luz que tarda Ao mundo vão, Que há-de esplender Nos homens todos, Limpando os lodos Da imperfeição.

13 Dominareis Toda a impiedade Pela verdade Que em vós transluz! E, servo, aguardo Do vosso amor Consolo à dor, Amparo e luz!

Souza Caldas [1] No original: “esp’rito”