Chico Xavier: O Primeiro Livro · Autores diversos · Chico Xavier

Capítulo 30 de 100

No templo da morte/Martha

1 O templo da morte tem portas incontáveis, Como incontáveis são as almas humanas, E infinitos seus estados de consciência.

2 Pela porta escura do remorso, Um dia penetrou os seus umbrais Uma alma que regressava da Terra.

Lá dentro, Em nome do Senhor de todos os latifúndios do Universo, Pontificava o Anjo da Justiça.

3 «Anjo Bom! — disse-lhe a alma súplice — Eu tenho a minhalma coberta de feridas cancerosas! Cura-me as chagas purulentas do remorso… Tenho os meus olhos vendados E uma treva incomensurável na consciência! Apaga os meus atrozes padeceres!…»

4 «Filha — respondeu compassivo —, Para sanar tão estranhas feridas, Tão amargos pesares, Só há um recurso:

Volta à Terra!

Lá existe o Regato das Lágrimas,

5 Banha-te nas suas águas cristalinas; Elas serão o teu bálsamo consolador E curarão a tua cegueira…

Estás na escuridão absoluta Pela ausência da luz, do bem na tua alma! Mas o Anjo da Dor irá contigo; Ele há-de te guiar através das sirtes do mar encapelado dos sofrimentos, E te conduzirá ao lugar bendito onde existem as lágrimas salvadoras!…» E a pobre regressou…

Conduzida pela Dor, Banhou-se na água lustral dos tormentos, Submergiu-se no regato encantado, de cuja fonte límpida promana a Salvação.

6 E depois de haver percorrido Tão tortuosos caminhos, Inçados de perigos E de dores amargas, Reconheceu o luminoso Anjo da Dor…

E nos seus braços magnânimos e compassivos, Penetrou no templo misterioso da morte Pela porta maravilhosa da Redenção.

Martha Na sessão de 30-11-1933.

Essa mensagem foi também publicada pela FEB e é o 3ª soneto do 46º capítulo do livro “Parnaso de Além-Túmulo”