O Espírito de Cornélio Pires · Cornélio Pires. — F. C. Xavier / Waldo Vieira · Chico Xavier
Capítulo 21 de 22
Bota-fora de Nhô Chico
1 Caiu Nhô Chico morto, ao fim da janta, Papou tatu ervado e foi caipora. O povo segue o enterro, reza e chora: — “Coitado de Nhô Chico Couro D’Anta!”
2 O avarento vivia de penhora. Sovinaria nele era já tanta, Que engastalhava o cuspe na garganta Com pena de jogar o cuspe fora…
3 Mas Nhô Chico sabia tanto ensino! Assunto o céu sereno e não atino Por onde sobe ele e se agasalha…
4 Pasmo, vejo o caixão roxinho perto; Nhô Chico está no corpo, de olho esperto, Caçando aflito um bolso na mortalha…
99 Onde a força manda em tudo, Não dês conselhos em vão. No terreno da galinha, Barata não tem razão.
100 Doutrinação sem trabalho, Conflito que não discuto. Conselho sem benefício, Figueira que não dá fruto.
101 Ensino sem boas obras, Caixa dourada mas oca…
Discurso que o vento leva Tão logo escapa da boca.
102 Nem sempre existe defeito Onde o chiste desagrade.
Às vezes a troça é o jeito De transmitir a verdade.
Cornélio Pires