O Espírito de Cornélio Pires · Cornélio Pires. — F. C. Xavier / Waldo Vieira · Chico Xavier
Capítulo 19 de 22
Noventa cruzeiros
1 Toc, toc… vai lá Adão Passoca, — Coronel da fazenda enorme e rica, — Vai cobrar uma conta da botica À pobre cozinheira Nhá Candoca.
2 A velhinha, deitada na maloca, Pede prazo mais longo… Chora e explica. Sente febre, tem fome, sua em bica, Almoça e janta milho de pipoca…
3 O Coronel nervoso ergue o cajado, Esbraveja mostrando o punho irado E, a expulsá-la da choça, espuma e berra…
4 Mas de tanto gritar, rude e mordente, Por noventa cruzeiros simplesmente, Cai fulminado e roxo sobre a terra.
91 Ninguém consegue alterar A força deste preceito:
Quem mal começa o que faz Nunca termina direito.
92 Caridade que deseje Transformar-se em vida sã, Se tem auxílio que dar Não deixe para amanhã.
93 Felicidade reclama Que o homem faça direito Não aquilo que se quer Mas o que deve ser feito.
Cornélio Pires