O Espírito de Cornélio Pires · Cornélio Pires. — F. C. Xavier / Waldo Vieira · Chico Xavier
Capítulo 1 de 22
Despedida de Vital
1 Lua cheia… Na choça a que se apega, Morre Vital, velhinho, olhando o morro…
Por prece, escuta a arenga do cachorro, Ganindo nas touceiras da macega.
2 Pobre amigo!… Agoniza sem socorro, Chora lembrando o milho na moega…
Oitenta anos de lágrimas carrega Na carcaça jogada ao chão sem forro.
3 Suando, enxerga um moço na soleira .
— “Eu sou leproso…” — avisa em voz rasteira, Mas diz o moço, envolto em luz dourada:
4 — “Vital, eu sou Jesus! Venha comigo!…”
E o velho sai das chagas de mendigo Para um carro de estrelas da alvorada.
2 Frases do jazigo escuro:
— Jaz aqui Gil de Muquém.
Era tão puro, tão puro, Que não viveu com ninguém.
3 Li num sepulcro de pedra:
— Aqui jaz Maria Gaza.
Era mendiga na rua, Com cinco milhões em casa.
4 Paixão que vem de outras vidas Pede cuidado a quem ama.
Brasa guardada na cinza, Soprada, crepita em chama.
5 Reencarnação!… Vejo agora O suplício de João Nava…
Renasceu filho da nora, Mulher que ele detestava.
Cornélio Pires [1] Notas do Compilador: As poesias destacadas com o texto em cor diversa do negro são devidas à psicografia de Francisco Cândido Xavier, e as outras à de Waldo Vieira. Os sonetos que encimam cada capítulo desse livro trazem (entre parêntesis) o número correspondente em seu índice, logo abaixo do nº dos respectivos capítulos. Vide explicações concernentes à organização dessa antologia, Elias Barbosa. “Despedida de Vital” é a 54ª lição do livro “Antologia Mediúnica do Natal”, editado pela FEB em 1966.