Nosso livro · Autores diversos · Chico Xavier
Capítulo 61 de 82
De passagem…/Rodrigues de Abreu
1 Irmão, Enquanto gemes, Cresce a erva para curar-te as dores, E enquanto dormes A pedra te sustenta a habitação.
2 Enquanto te desfazes em revolta, O verme permanece trabalhando, Submisso ao Senhor, No preparo do chão para que a vida não cesse.
3 Enquanto te confias A impropérios da queixa, Dispõe-se a gota d’água A socorrer-te a sede.
4 Enquanto te enveredas No labirinto imenso Da palavra insincera ou do tempo perdido, O minúsculo grão Desenvolve-se, humilde, Para atender-te a fome e ajudar-te o celeiro.
5 Ao redor de teus passos, Tudo clama — “que fazes?”
6 Entretanto, Guardas ouvidos surdos E as tuas mãos inertes Rogam, em vão, o amparo Que deviam por si mesmas, Enriquecendo o bem para a luz imortal.
7 Abre o teu coração À glória da verdade e à fonte do amor Que dimanam sem termo Do Coração da Vida, Para que o Sol Divino Encontre no teu peito O instrumento ideal de manifestação, Porque a bênção do corpo É qual a flor da erva, Hoje brilhando ao céu, amanhã, semimorta…
8 E o Pai Justo e Bondoso Que rege o grão de pó e as estrelas suspensas Vela, agindo conosco, Dentro e fora de nós, Perguntando a nós todos, Em cessando o minuto:
— “Meu filho, que fizeste?”
Rodrigues de Abreu