Mensagens de Inês de Castro · F. C. Xavier / Caio Ramacciotti. / Inês de Castro · Chico Xavier

Capítulo 31 de 41

Cântico de Amor - Inês de Castro

1 Surgiu certo momento em que compus Um cântico de amor, de vida e luz Para louvor do rei que em sonhos eu revia. E foi tal minha alegria A erguer-me o coração, precípite e suspenso, Perante o soberano a quem pertenço Que lembrei um poema De beleza imortal Que me brilhava na lembrança:

2 O rei me resguardava Como se eu fosse uma criança E, através de seu hálito divino, Punha em meu coração humilde e pequenino Um mundo tão formoso e tão perfeito Que tive a ideia da felicidade Ser a força do rei, palpitando em meu peito.

3 Tendo lido o poema Ao soberano amado, Dono de minha vida, Senti o coração triste e partido…

4 Teria, acaso, cometido Uma falta ante o rei?

Seria desrespeito Falar-lhe de um poema, Em que havia sentido a grandeza suprema De sua majestade, Doando-me o endereço, Ponto, número e rumo da felicidade?

5 Tanta veneração guardo comigo Pelo meu soberano, terno e amigo, Que sofri ao pensar tê-lo afastado E orei rogando proteção…

6 Foi quando doce voz disse ao meu lado, Uma voz de mentor, sábio e profundo: — Sendo para o teu rei, só para ele, Escreve os teus poemas…

Inês de Castro